fachada O Criança em Foco oferece propostas que têm como finalidade colocar o saudável desenvolvimento da criança no centro da atenção da família e dos profissionais que auxiliam na dinâmica da casa e da escola. Busca despertar a capacidade de observação de cada um, fortalecer os vínculos afetivos em torno das crianças em tenra idade e fornecer aos seus cuidadores as informações a respeito dos mecanismos da infância, suas necessidades e urgências, a fim de propiciar um espaço próprio para o desabrochar de potencialidades. Visa ainda ampliar a comunicação entre todos os adultos envolvidos na formação e nos cuidados diários, incentivando a unidade de linguagem com a criança.

A metodologia 1,2,3 e Já propõe um projeto de Educação para o Cuidado, proporcionando o contato gradativo com outras crianças, por fases do desenvolvimento, entre figuras de apego confiáveis, seguras e que recebem suporte e formação profissional permanentes.
Nosso projeto pedagógico é sócio-interacionista, atrelado às àreas da Teoria do Apego, da Mediação de Aprendizagem, da Neurociência e da Clínica de Psicanálise com crianças.
01 02
Nosso Espaço de Desenvolvimento permite aos pais um estreitamento de vínculos afetivos e maior conhecimento das fases de desenvolvimento de seus bebês e crianças pequenas através da observação e vivências compartilhadas. Leia Mais...
05 06 Os “quatro pilares da educação”, expressão nascida do relatório da Unesco sobre a educação do futuro, publicado em 1999, sob a direção de Jacques Delors, trazem as dimensões inseparáveis da educação em sua perspectiva integral: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver. Leia Mais...
03 04 Ao longo de muitos anos de acompanhamento de pais de bebês e crianças bem pequenas, com frequência recebemos uma demanda grande dos pais sobre outras alternativas de cuidado e educação, tão cuidadosa como a que vimos oferecendo em nosso Espaço de Desenvolvimento e em nosso criterioso Curso de Formação de Babás. Leia Mais...
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Atendimento clínico especializado em Depressão Pós-parto, Distúrbios de sono e alimentares, Distúrbios comportamentais, Transtornos do desenvolvimento infantil, Dificuldades na adaptação escolar e habilidades sociais. Leia Mais...

Em Tempos de superbabás…

Considero pertinente a discussão sobre a proliferação dos atuais reality shows envolvendo crianças e seus pais, orientados por “superbabás”.

Trata-se de uma atração que, no exterior, vem ganhando atenção dos telespectadores. Somente nos Estados Unidos, cerca de dez milhões de pessoas assistem ao programa Supernanny para adaptar as técnicas de Jo Frost ao cotidiano delas.

O programa funciona da seguinte maneira: a cada semana, a babá tem a missão de ajudar pais desesperados a lidarem com filhos-problema, por meio de muita psicologia infantil, rígida disciplina e a paciência que tem faltado aos pais. Assim, a babá estabelece regras e limites, além de montar roteiro para ser seguido pela família a cada dia. A tentativa é de reverter quadros de extrema falta de comando familiar, tornando filhos que não dormem, não comem, batem nos irmãos ou se recusam a ir para escola em exemplo de condutas e bons costumes, antes que levem seus pais à loucura.

Além da exposição das crianças, o que já seria questionável, vejo que os programas partem de situações de extremas que são utilizadas como parâmetros para deflagrar a incompetência dos pais diante do processo educacional de seus filhos e, assim, justificar a invasão desta relação por uma desconhecida. Situações que claramente mostram dificuldade nos vínculos afetivos familiares são abordadas de forma superficial.

Se conseguirmos um olhar mais alongado, percebemos que, em muitos casos, a babá não é uma desconhecida para as crianças, estabelece bons vínculos com ela, mas mesmo que seja sabedora de boas soluções para impasses, uma profissional consciente de sua função não deveria chamar a atenção dos pais diante dos próprios filhos, mas partilhar suas experiências anteriores e atuais, auxiliando a reflexão e incrementando a autoconfiança dos pais em relação às suas atitudes. Parece haver uma distorção do papel de uma boa babá em uma família comum.

Como dizia o pediatra inglês Donald Winnicott, nós, pais modernos, temos um sentido de realização de tarefas ao colocarmos nossos filhos no mundo. Planejamos, esperamos e procuramos ler muito, buscando informações que possam nos transmitir mais segurança na educação de nossas crianças. Sabemos ser capazes de prestar a atenção apropriada a poucos filhos e procuramos estar presentes em todas as etapas de sua criação, fornecendo, assim, um ambiente fértil para seu bom desenvolvimento. Ao mesmo tempo, percebemos que a carreira profissional e os afazeres pessoais também são parte importante no conjunto de nossas vidas. Portanto, será bem-vinda a ajuda de uma babá nas tarefas diárias com a criança, assim como a possibilidade de continuar oferecendo os cuidados e estímulos necessários ao seu progresso, mas de tal forma que não atrapalhe o sentido de responsabilidade para com nossos filhos. De todo modo, a função da babá não é ser uma substituta para a mãe, mas complementar e ampliar o papel que, nos primeiros anos da criança, só os pais desempenham.

Seria interessante que os pais percebessem que seu lugar junto ao seu filho é inegociável, desde que ocupado por eles, e que as babás precisam ser incentivadas a entender mais do que fazem- ou deveriam fazer- e a aprender a se posicionar de uma forma mais profissional.

Quando pais cuidadores conseguirem aprender a ver com o olhar do outro e a se comunicar melhor, as relações tenderão a se estabilizar e a se complementar em um interesse em comum: garantir uma segurança maior nas atitudes, uma maior unidade de linguagem, fornecendo um ambiente propício para o desenvolvimento de crianças saudáveis.

Se o olhar for reduzido ao entretenimento, considero mais útil que os pais aproveitem o limitado tempo que lhes resta junto aos filhos tocando-os, escutando-os com atenção, brincando com eles, ou seja, permitindo a oportunidade única de conhecerem-se mutuamente e de estreitarem os laços afetivos que os unem, ampliando sua própria sensibilidade em relação às necessidades de sua criança, em cada fase específica, do que assistindo a situações alheias.

Matéria retirada do Jornal Gazeta do Povo Caderno Viver Bem do dia: 13/11/2005, por Fernanda Roche.

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