Fazendo Arte

Nossa oficina promove mais um espaço de interação entre crianças pequenas e seus pais.

Possibilita o contato e a exploração de diferentes materiais e técnicas básicas, trabalhando a coordenação motora e o esquema corporal através das atividades propostas, tendo como ponto de partida o lúdico e o prazer das descobertas.

Nosso objetivo é que encontrem um espaço semanal para o contato com materiais que propiciem vivências de expressão artística, seja com sucatas, tintas, argila, massinha, terra, areia, materiais sensoriais e até mesmo com pequenos animais, para que se desenvolvam de forma ainda mais completa brincando livremente.

Algumas técnicas que serão utilizadas:

  • Massa de modelar colorida
  • Pintura-dedo com cola colorida
  • Pintura-dedo com guache e areia
  • Pintura com esponja
  • Colagem com papéis, tecidos, sucata
  • Dobraduras
  • Desenho com gizão de cera
  • Desenhos em papéis de diferentes texturas
  • Marcenaria
  • Argila
  • Brincadeiras

“Ninguém te sacudiu pelos ombros quando ainda era tempo. Agora, a argila de que és feito já secou e endureceu e nada mais poderá despertar em ti o místico adormecido ou o poeta ou o astrônomo que talvez te habitassem” (Exupéry)

A cada dia que passa, as crianças vão mais cedo à escola. As escolas, por sua vez, vangloriam-se do aceleramento de seus programas e da objetividade de seus currículos. Encurta-se a infância, a tão preciosa, a sagrada infância do ser humano, o período em que a semente brotada começa a desabrochar, vivendo um processo que a transformará em adulto. A fragilidade desta pequena plantinha deixa-a totalmente à merce dos que a cercam.

O ser humano, ao contrário dos animais, é totalmente dependente nos seus primeiros anos de vida. E esta dependência não se refere somente ao seu corpo, uma vez que também sua inteligência e sua sensibilidade estão sendo desenvolvidas. O poeta, o artista, o pai, a mãe, o criminoso, o amigo, o idealista ou o traidor estão latentes na criança pequena. Depende de nós a nutrição e o cultivo destes diferentes aspectos da personalidade humana. A preocupação com a saúde da criança tem de abranger também a sua saúde emocional, caso contrário nunca chegaremos a ter adultos equilibrados, capazes de construir uma sociedade mais harmoniosa. Não basta nutrir o corpo, é preciso nutrir a alma. Não basta zelar pela quantidade dos alimentos, é preciso zelar pela qualidade das oportunidades que estão sendo oferecidas à criança para desenvolver suas potencialidades.

Quanto mais cedo colocarmos a criança em situações rigidamente estruturadas e conduzidas, menos possibilidade terá ela de chegar a encontrar seu jeito de ser, sua vocação, sua afetividade.

Sua espontaneidade é comprometida pela necessidade de cumprir tarefas predeterminadas e de ter um desempenho que lhe assegure uma boa colocação dentro da escala de valores situados entre o êxito e o fracasso.

A ludicidade, tão importante para a saúde mental do ser humano, precisa ser mais considerada; o espaço lúdico da criança está merecendo maior atenção, pois é o espaço para a expressão mais genuína do ser, é o espaço do exercício da relação afetiva com o mundo, com as pessoas e com os objetos.

Texto retirado do Livro BRINQUEDOS, desafios e descobertas. Escrito por Nylse Helena Silva Cunha

No brincar, casam-se a espontaneidade e a criatividade com a progressiva aceitação das regras sociais e morais. Em outras palavras, é brincando que a criança se humaniza, aprendendo a conciliar de forma efetiva a afirmação de si mesma à criação de vínculos afetivos duradouros. Assim como molda a cultura contextualizada no tempo e no espaço, o brincar dela deriva.

Não sendo uma prerrogativa humana, mas muito mais amplo e precoce, o lúdico afirma suas raízes em sociedades animais constituindo-se, não apenas como uma preparação à vida adulta, mas como uma atividade que contém sua finalidade em si mesma, que é buscada no e para o momento vivido.

Com a criança, o brincar dá continuidade a características válidas para outras espécies vivas, mas também as prolonga, aperfeiçoa e especializa, havendo se convertido numa das estratégias selecionadas pela natureza e pelo próprio homem, na formação de sua autonomia e sociabilidade, ajudando-o a atravessar sua longa infância e adolescência.

É brincando que a criança elabora progressivamente o luto pela perda relativa dos cuidados maternos, assim como encontra forças e descobre estratégias para enfrentar o desafio de andar com as próprias pernas e pensar aos poucos com a própria cabeça, assumindo a responsabilidade por seus atos.

Constitui-se assim na ferramenta por excelência de que dispõe para aprender a viver. Brincadeira e imitação andam de mãos dadas, em íntima colaboração neste processo.

A busca da própria independência, obtida sem excesso de culpas ou medos, desenvolvida através de conquistas do dia-a-dia, torna-se muito mais fácil quando às crianças são dados de forma clara e complementar liberdade e limite. Ora, esta combinação, em doses e proporções adequadas e aceitáveis, faz parte inerente do espírito lúdico, onde quem brinca espera de si mesmo e do outro o vibrar, o se envolver e criar situações divertidas, assim como respeitar o combinado, assumindo um contrato social.

Pais e Educadores que respeitam a necessidade da criança de brincar estarão construindo, portanto, os alicerces de uma adolescência mais tranqüila ao criar condições de expressão e comunicação dos próprios sentimentos e visão de mundo.

Fonte: Vera Barros de Oliveira, 2000.

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